Chupim-azeviche

O Vira-bosta picumã é um passeriforme da família Icteridae.
Conhecido também como chupim-picumã ou chupim-azeviche.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) Mölos = luta, batalha; e thöskö = impregnar, para o pai; e do (latim) rufus = castanho e axillaris = axila, referente a região das axilas, abaixo das asas e próximo aos flancos. ⇒ (Pássaro de) axila castanha que luta pela atenção dos pais.

Características

Bastante parecido com o chupim (M. bonariensis), um pouco maior, de cauda mais longa e bico mais curto, plumagem quase sem brilho. Uma parte das coberteiras inferiores das asas e axilares castanhas, difícil de ver (só nos machos). Sexos semelhantes, mas fêmea um pouco menor. Jovem e imaturo são muito diferentes, de plumagem considerada “ancestral”, parda, semelhantes ao asa-de-telha quando sai do ninho, mas não demoram a mudar para plumagem negra no corpo e na cabeça, sendo essa muda bem característica da espécie.

Subespécies

Espécie monotípica (não são reconhecidas subespécies).
(IOC World Bird List 2017; Aves Brasil CBRO 2015).

Alimentação

O chupim-azeviche (Molothrus rufoaxillaris) foi observado ocorrendo junto com as seguintes espécies de aves: asa-de-telha-pálido (Agelaioides fringillarius), grauna (Gnorimopsar chopi), vira-bosta (Molothrus bonariensis), garibaldi (Chrysomus ruficapillus), cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana) e tipio (Sicalis luteola). Com exceção de, A. fringillarius e de G. chopi, M. rufoaxillaris agrupou-se apenas com as outras espécies, citadas acima, em atividades de forrageio, que ocorreram ao longo de todos os meses do ano. Belton (1994) e Jaramillo & Burke (1998), também, citam esta característica de M. rufoaxillaris em se agrupar com outras espécies, principalmente, em torno de recursos alimentares. Todas as espécies citadas acima são gregárias (Sick, 1997) e indicadoras de áreas antropizadas (Stotz et al., 1996), sendo que, no período de seca, compreendido entre os meses de abril e setembro, estes agrupamentos foram mais freqüentes e com um maior número de indivíduos. Tal fato pode estar relacionado à escassez e à concentração de recursos em torno de áreas propícias, tais como margens de tanques, lagoas e córregos.

Reprodução

Ave parasita, como chupim (M. bonariensis). Os ovos são extremamente variáveis, avermelhados, azulados, esverdeados, cinzentos, amarelados ou brancos, sem demonstrar uma tendencia de mimetismo com os ovos dos hospedeiros. Tem em média 3 ninhadas por estação com 2 ovos cada uma.

Além de se alimentar junto com G. chopi e A. fringillarius, M. rufoaxillaris foi observado durante o período reprodutivo, que ocorreu de outubro a dezembro, compartilhando com estas espécies, locais de pernoite e de exibições de côrte para com o parceiro. Tanto G. chopi quanto A. fringillarius foram vistos agredindo M. rufoaxillaris próximo aos seus sítios de nidificação. Estas interações agonísticas indicam que as duas espécies são incomodadas pelo nidoparasita, o qual é incansável na procura por ninhos de hospedeiros, inspecionando incessantemente ocos em árvores (locais de nidificação de G. chopi) e ninhos de gravetos (locais de nidificação de A. fringillarius).

Ao exibir-se para a fêmea, o macho de M. rufoaxillaris erguia o corpo e eriçava as penas da nuca com a cabeça direcionada para baixo e flexionava as asas e a cauda cantando, sendo que, geralmente após 5 a 10 exibições, ocorria a cópula. Após as atividades de corte, os indivíduos do casal não se apartavam um do outro, sendo que o macho seguia a fêmea por onde ela fosse. Estas duas atividades, também, foram reportadas para M. rufoaxillaris no sul de sua área de distribuição geográfica (Jaramillo & Burke, 1998).

Hábitos

É uma espécie típica de áreas abertas, ocorrendo em plantações de cereais, pastagens, terreiros de fazendas e campos com árvores esparsas.

Distribuição Geográfica

No Brasil, esta espécie é encontrada nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso (Sick) tendo recentemente invadido estados ​mais ao norte como São Paulo e Minas Gerais ​(Willis & Oniki; ​Gontijo​).
Também pode ser encontrado no nordeste do país nos estados da Bahia, Piauí, Pernambuco e recentemente Ceará.

Referências

  • IBAMA. IN01-03. 24 jan. 2003. p. 7.
  • Santos D’Angelo Neto, Giovana Rodrigues da Luz, Márcia de Oliveira Pastor Vianna. Observações sobre o parasitismo de Molothrus rufoaxillaris sobre Gnorimopsar chopi e outros aspectos de sua história natural no norte de Minas Gerais: por que Agelaioides fringillarius não é parasitado?Unimontes Científica V.8 n.1 - Jan./Jun. de 2006. Disponível em http://www.unimontes.br/unimontescientifica... Acesso em 19 Ago. 2009.

Consulta bibliográfica sobre as subespécies:

  • CLEMENTS, J. F., T. S. Schulenberg, M. J. Iliff, D. Roberson, T. A. Fredericks, B. L. Sullivan, and C. L.. The Clements checklist of Birds of the World: Version 6.9; Cornell: Cornell University Press, 2016.
  • Gill, F. & Wright, M. - IOC World Bird List 2017. Birds of the World - Recommended English Names. Princeton University Press, Princeton, N.J., and Oxford, UK.
  • Piacentini et al. (2015). Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee / Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Revista Brasileira de Ornitologia, 23(2): 91–298.

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